Casulo Cultural abre exposição Literal/mente

 

DSCF9757Quando o estudo se transforma em arte. Foi assim que surgiu a exposição Literal/mente, que reúne obras-objeto criadas a partir de experimentações de estudantes de mestrado e doutorado do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Pará (UFPA). “Nesse fazer, obra de arte e objeto de pesquisa se encontram, se misturam, se confundem”, afirma Caroline Fernandes, professora e curadora da mostra que abre neste sábado, dia 27, às 19h, no Casulo Cultural, e segue aberta neste domingo de Circular Campina Cidade Velha.

O projeto integrou a disciplina Linha de Pesquisa II: Arte, cultura, religião e linguagens no ano passado, e durante o curso foram propostos exercícios de deslocamentos para enfrentar debates sobre método e narrativa na escrita da história. “É possível encarar o próprio objeto a partir de um novo lugar, assumir papel diverso, ocupar outros espaços?”, questiona Caroline.

O objetivo da experimentação era inspirar. “No sentido mais próximo do literal, inspirar implica em fazer entrar o ar. Um fazer que demanda ação no corpo, não na mente”, diz.  Assim, a exposição traz obras dos mestrandos e doutorandos Arcângelo Ferreira, André Andrade, Juliana Amorim, Heraldo Galvão Junior, Branda Sales, Kauan Amora e Raynara Ribeiro. “No fazer literal da inspiração, o corpo é convidado para desorganizar as ingerências da mente. Resistir não é um empreendimento da mente, é no corpo que a resistência acontece. Portanto, desconectados do corpo, os saberes produzidos são obedientes, convenientes. De tal modo, a finalidade da linha [de pesquisa] deixa de ser costurar. Ao contrário, quer desfazer suturas”, diz Caroline.

DSC_0090Nas obras da mostra é possível ver refletida essa inspiração a partir do contato com a cidade e sua complexidade. Quem veio primeiro, a imagem ou a palavra? Nas mãos do Arcângelo, já não se sabe bem a precisão das coisas. O texto foi se apequenando de um tanto que a prosa virou verso. Enquanto isso, a semente de tucumã cresceu do tamanho do mundo. A exposição traz também o trabalho de André Andrade, o “Tombei”, que fala da mudez do centro (histórico) que é desperta pela exposição do corpo. “Inventariando tradições na era das redes sociais, os nudes do André têm como epígrafe a música feminista de Karol Conka. Uma referência à cultura pop para interrogar o patrimônio sem pudor, já que é pra tombar”, diz a curadora.

História de perfumaria é o trabalho de Juliana Amorim, uma instalação em aborda as fronteiras entre o necessário e o secundário, acessório, fútil. Por meio de um reencontro com as histórias em quadrinho da infância, Juliana afronta uma hegemonia masculinista e seus desmandos sobre o corpo, a arte, o passado. História de perfumaria é uma instalação sobre o poder contada a partir dos recintos mais íntimos da vida e da privada. A mostra traz ainda a obra Tempo, são lambes de intervenção urbana; a instalação sonora, performance de Branda Sales; o curta-metragem Entre-vistas de Kauan Amora; e a Conspiração, instalação de Raynara Ribeiro.

Casulo Cultural

DSCF9712O Casulo Cultural surgiu da necessidade de um ‘lugar’, onde houvesse espaço para experimentar, criar e construir arte e vida. A casa, localizada no histórico bairro da Campina, nos altos de um antigo casarão de esquina, se impõe por sobre as ruas do bairro, carregando consigo o projeto do fluir cultural, onde o trabalho colaborativo e a iniciativa coletiva buscam a difusão de conhecimentos artísticos e culturais, para que possam alçar outros voos.

O Casulo Cultural é, assim, um espaço de criação colaborativa que se estrutura dentro de uma casa de artista, abrindo suas portas para encontros, vivências e relações entre pessoas e ideias, para a criação e difusão de saberes artísticos, políticos e culturais. Com a proposta de dialogar com diferentes linguagens em torno das relações de afeto e movimento que a arte potencializa.

Serviço:

Casulo Cultural – travessa Frutuoso Guimarães, 562, altos, Campina – esquina com a rua Riachuelo. Entrada gratuita. Visitações às quartas das 15 às 18 e sextas, das 17 às 20h. Veja a programação do espaço neste domingo, acessando a programação do 17o Circular, aqui neste site (aba de programação).